As entidades públicas em Portugal assinaram 171.806 contratos no valor de 14,7 mil M€ de janeiro a agosto de 2026, e 13,5% dos concursos públicos com lista de concorrentes reportada receberam uma única proposta. Os dois números vêm da edição n.º 2 do Barómetro da Contratação Pública, que lê o registo completo de contratos do Portal BASE, publicado em dados abertos pelo IMPIC (ficheiro lido a 5 de outubro de 2026). Este guia reúne as oito conclusões em que um fornecedor pode agir, pela ordem em que se decide uma proposta.
Qual é a dimensão da contratação pública portuguesa e onde se gasta?
Foram contratados 14,7 mil M€ de janeiro a agosto de 2026, em 171.806 contratos. Abril foi o mês mais pesado, com 2,6 mil M€, e agosto o mais leve, com 1,1 mil M€, mas agosto não é uma quebra: os contratos chegam ao Portal BASE com atraso, por isso os meses mais recentes são revistos em alta em cada edição. Por local de execução, que o registo indica em 89,8% dos contratos, o distrito de Lisboa lidera com 3,6 mil M€ e o Porto segue com 2,0 mil M€, e o registo mostra o resto, distrito a distrito. Meça o seu segmento e a sua região dentro do total e trate o último mês como provisório.
Com que frequência um concurso público português recebe uma única proposta?
13,5% dos concursos públicos com lista de concorrentes reportada receberam uma única proposta, cerca de um em cada sete: 2.116 dos 15.567 concursos medidos. Contam apenas os concursos públicos. No ajuste direto e na consulta prévia a entidade convida diretamente os fornecedores, pelo que uma única proposta é o desenho do procedimento e não falta de concorrência. A taxa muda também com o local: entre os 19 distritos e regiões com pelo menos 100 concursos medidos, vai de 6,5% em Vila Real a 30,9% nos Açores. Uma proposta única mostra que o concurso não teve rival, não o motivo, e o Barómetro mede o resultado, não a causa.
Quantos concorrentes devo esperar num concurso?
O concurso público mediano recebeu 4 propostas e a média foi de 6,3. 26,6% dos concursos fecharam com duas propostas ou menos e 49,5% atraíram cinco ou mais. As contagens descem de forma contínua: 2.116 concursos com uma proposta, 2.035 com duas, 1.959 com três e 1.737 com quatro. A média fica acima da mediana porque uma minoria de concursos atrai muitas propostas. Conte com cerca de quatro propostas e não com vinte, e dimensione o esforço da sua proposta em conformidade.
Que setores têm menos concorrência e quais têm mais?
O software e os sistemas de informação tiveram a maior quota de propostas únicas: 38,9% de 431 concursos, com 3,0 propostas em média. Os serviços de TI e consultoria informática seguiram-se com 34,4% (531 concursos, 4,1 propostas) e a reparação e manutenção com 22,6% (617 concursos, 3,5 propostas). No extremo oposto, o equipamento médico e farmacêutico teve 5,1% de propostas únicas e 10,8 propostas em média, em 2.495 concursos, o maior setor medido, e os serviços agrícolas e florestais tiveram a quota mais baixa, 3,0%. Abaixo do setor, a lista por código CPV mostra onde se concentram as propostas únicas. Num setor com pouca concorrência o risco é não ver o anúncio, não perder para um rival. Num setor disputado, conte competir no preço e no prazo de entrega.
O preço decide sozinho a adjudicação?
70,6% dos concursos públicos foram decididos exclusivamente pelo preço. A maior parte do resto pondera o preço com outros fatores. Com um critério só de preço a proposta é aritmética: ganha o preço mais baixo entre as propostas conformes, por isso o trabalho está na estrutura de custos e em entregar corretamente todos os documentos exigidos. Onde se ponderam vários fatores, gaste o tempo no caderno de encargos e no modelo de avaliação.
De quanto tempo disponho para preparar uma proposta?
A mediana do prazo foi de 14 dias entre a publicação do anúncio e o fecho das propostas, e 36,1% dos anúncios deram 10 dias ou menos: 7.718 dos 21.378 medidos. Outros 6.544 deram 11 a 20 dias, 5.444 deram 21 a 30 e só 1.672 deram mais de 30. Com prazos tão curtos, consultar os portais uma vez por semana é lento demais. Defina de antemão os seus códigos CPV e as entidades prioritárias, para que ler um anúncio demore minutos e não um dia.
Quanto se compra sem concurso aberto?
O ajuste direto foi 42,0% dos contratos em número, 72.291 contratos, mas só 15,9% do valor, cerca de 2,3 mil M€: muitos contratos, e pequenos. A entidade convida o fornecedor, e o Portal BASE publica o contrato depois de concluído, sem anúncio prévio (pontos 3.7 e 3.8 das suas perguntas frequentes). Nenhum alerta de anúncios o pode avisar com antecedência, por isso a entrada faz-se por ser conhecido das entidades que usam este procedimento. O ranking do ajuste direto dá a fatia de cada uma das 568 entidades com pelo menos 50 contratos no período, entre as 3.129 que o usaram pelo menos uma vez.
Quem compra e quem ganha o dinheiro?
A Infraestruturas de Portugal é o maior comprador, com 825 M€, e oito dos dez maiores compradores são entidades de saúde, lideradas pela Unidade Local de Saúde de Santa Maria, com 502 M€. O registo de compradores lista as 919 entidades que contrataram pelo menos 1 M€ cada. Do lado do fornecimento, as farmacêuticas ocupam o topo da tabela, com combustíveis e eletricidade logo atrás, e os 100 maiores fornecedores concentram 42,8% do valor. As pequenas empresas não ficam de fora: as PME receberam 67,7% do valor e 88,5% dos contratos, e as páginas de fornecedores mostram, de cada empresa, as entidades compradoras, as divisões CPV e os concorrentes que ganham com as mesmas entidades. Acompanhe os hospitais pelo nome e não só pelo setor: o dinheiro concentra-se em poucas instituições.
O que mudou entre a edição n.º 1 e a n.º 2?
A edição n.º 1 lia 13,8% de proposta única em janeiro a julho de 2026 (extração de 7 de setembro), com 153.477 contratos e 13,6 mil M€. A edição n.º 2 lê 13,5% em janeiro a agosto, com 171.806 contratos e 14,7 mil M€. Mudaram duas coisas, o período e o método, por isso não leia a diferença como tendência: o segundo período tem mais um mês e a edição n.º 2 conta cada contrato uma só vez. O ficheiro do IMPIC repete contratos em mais do que uma linha (855 linhas a mais, em 843 contratos, no ficheiro lido a 5 de outubro). A edição n.º 1 contava as linhas repetidas duas vezes, e é por isso que a sua tabela de fornecedores tinha outro líder.
Cinco regras fixas sustentam cada número:
Fornecedores estrangeiros e pessoas singulares sem NIF português ficam fora dos rankings. Representam 4,7% do valor, que é reportado à parte.
Como pôr o Barómetro a trabalhar?
Comece por três comparações: a quota de proposta única do seu setor contra 13,5%, a quota de ajuste direto das suas principais entidades contra 42,0%, e o prazo do último anúncio que perdeu contra 14 dias. Os ficheiros agregados por trás de cada número são abertos, CSV e JSON sob CC BY 4.0, com atribuição. A TRINTA publica o Barómetro todos os meses. Se quer os concursos certos para a sua empresa e não a média do mercado, marque uma demonstração e mostramos-lhe os concursos portugueses pontuados pela adequação ao seu catálogo.
Perguntas frequentes
01Quanto contrataram as entidades públicas portuguesas de janeiro a agosto de 2026?
14,7 mil M€ em 171.806 contratos assinados no período, segundo a edição n.º 2 do Barómetro da Contratação Pública. O valor vem do registo de contratos do Portal BASE, publicado em dados abertos pelo IMPIC (ficheiro lido a 5 de outubro de 2026), com cada contrato contado uma só vez. Os meses mais recentes são revistos em alta nas edições seguintes, porque os contratos chegam ao registo com atraso.
02Que percentagem dos concursos públicos portugueses recebe uma única proposta?
13,5% dos concursos públicos com lista de concorrentes reportada entre janeiro e agosto de 2026: 2.116 em 15.567. Ajustes diretos e consultas prévias ficam de fora, porque aí a entidade convida os fornecedores e uma única proposta é a forma de funcionar do procedimento. A edição n.º 1 lia 13,8% para janeiro a julho, mas cobria menos um mês e contava os contratos de outra forma, por isso os dois valores não são uma tendência.
03Quantas propostas recebe um concurso público português típico?
A mediana é de 4 propostas e a média de 6,3. 26,6% dos concursos fecharam com duas propostas ou menos e 49,5% atraíram cinco ou mais. Varia por setor: o software teve em média 3,0 propostas, o equipamento médico e farmacêutico 10,8.
04Que parte da contratação pública portuguesa é ajuste direto?
42,0% dos contratos em número, 72.291 contratos, mas só 15,9% do valor, cerca de 2,3 mil M€, entre janeiro e agosto de 2026. Os ajustes diretos são muitos e pequenos. A entidade convida o fornecedor, e o Portal BASE publica o contrato depois de concluído, sem anúncio prévio.
05De quanto tempo dispõem os concorrentes para entregar uma proposta em Portugal?
A mediana do prazo foi de 14 dias entre a publicação do anúncio e o fecho das propostas. 36,1% dos anúncios deram 10 dias ou menos, 7.718 dos 21.378 medidos, e só 1.672 deram mais de 30 dias.
06Posso reutilizar os dados do Barómetro?
Sim. Os ficheiros agregados, em CSV e JSON, são publicados sob CC BY 4.0, pelo que pode usá-los, adaptá-los e redistribuí-los, incluindo para fins comerciais, com atribuição. Contêm apenas agregados. O registo contrato a contrato continua na fonte, o conjunto de dados abertos do IMPIC em dados.gov.pt.
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