Onde estão os concursos

As fontes oficiais portuguesas, o que cada uma publica e por que ordem saem.

Prazos, peças e exclusões

O que decide procedimentos antes de a proposta ser sequer avaliada.

Quanto tempo há para responder em audiência prévia?

No mínimo cinco dias no concurso público e três na consulta prévia; no ajuste direto não há audiência prévia. O primeiro mínimo está no artigo 147.º do Código dos Contratos Públicos e o segundo no artigo 123.º, n.º 1, e os dois valem nos procedimentos iniciados até 30 de setembro de 2026 e nos iniciados depois. No ajuste direto há um só convidado e uma só proposta, por isso não há audiência (artigos 112.º, n.º 2 e 125.º, n.º 2), e o mesmo acontece no concurso público e na consulta prévia quando chega uma única proposta. Nos procedimentos iniciados depois de 30 de setembro de 2026 há ainda uma exceção: num concurso público em regime de flexibilização, a entidade pode reduzir o prazo para três dias (artigo 161.º-B, n.º 1, alínea b)). Em todos os casos quem determina o prazo concreto é o júri, na notificação: o mínimo legal não é a regra automática, o prazo que conta é o que consta da notificação, e conta-se em dias úteis.

O que leva à exclusão de uma proposta?

Os fundamentos de exclusão estão no Código dos Contratos Públicos e, no essencial, mantêm-se, com alguns novos, entre eles os ligados ao concurso flexibilizado; o que muda com a data de início do procedimento é o artigo que os contém. Nos procedimentos iniciados até 30 de setembro de 2026, o artigo 70.º, n.º 2 concentra os de conteúdo: a alínea a) cobre o atributo ou termo não apresentado, a alínea b) a proposta que viola um parâmetro base ou um aspeto não submetido à concorrência, a alínea c) a impossibilidade de avaliação pela forma de apresentação, e a alínea f) o caso em que o contrato implicaria violar vinculações legais ou regulamentares, como uma certificação em falta; o artigo 146.º, n.º 2 lista os restantes, como a entrega fora de prazo ou os documentos em falta, e na alínea o) remete para os do artigo 70.º, n.º 2. Nos iniciados depois, o Decreto-Lei 177/2026 revogou esse n.º 2 do artigo 146.º e pôs tudo no artigo 70.º: os restantes no n.º 2, e aqueles quatro no n.º 3, com as mesmas alíneas a), b), c) e f). Os novos incluem os do concurso flexibilizado, no n.º 2, alínea n), e no n.º 3, alíneas h) e i), e a alínea d) do n.º 3 só exclui por preço acima do preço base fixado no convite ou no programa.

Num concurso decidido só pelo preço, o anexo técnico ainda conta?

Conta, e conta mais. Quando o preço é o único atributo, ao abrigo do artigo 56.º, n.º 2 do Código dos Contratos Públicos, tudo o que está no anexo técnico deixa de ser atributo e passa a ser termo ou condição não submetido à concorrência. Um desvio a esse anexo não é avaliado com uma nota mais baixa, é fundamento de exclusão nos termos do artigo 70.º, n.º 2, alínea b), nos procedimentos iniciados até 30 de setembro de 2026, e do n.º 3, alínea b), do mesmo artigo nos iniciados depois. É a diferença entre perder pontos e sair do concurso.

Uma omissão na proposta pode ser corrigida depois com um esclarecimento?

Não, quando é uma omissão de atributo. O artigo 72.º, n.º 2 do Código dos Contratos Públicos proíbe esclarecimentos que contrariem os documentos da proposta, alterem atributos ou supram omissões que determinam a exclusão: as do artigo 70.º, n.º 2, alínea a), nos procedimentos iniciados até 30 de setembro de 2026, e as do n.º 3, alínea a), do mesmo artigo nos iniciados depois. Na prática, o que falta na entrega é insuprível, e a distinção entre o que é sanável e o que não é decide a maior parte das reclamações.

O DEUCP substitui a declaração do Anexo I?

Nos procedimentos iniciados até 30 de setembro de 2026, sim, quando há anúncio no Jornal Oficial da União Europeia: o artigo 57.º, n.º 6 do Código dos Contratos Públicos determina que nesses casos o Documento Europeu Único de Contratação Pública substitui a declaração do Anexo I, e alegar a falta dessa declaração é um argumento perdido. Nos iniciados depois, a pergunta deixa de se pôr: o Decreto-Lei 177/2026 revogou a declaração do Anexo I, e com anúncio no Jornal Oficial apresenta-se o DEUCP, como manda a nova redação do mesmo n.º 6. Nos dois casos, o que tem peso real é um DEUCP incompleto, em especial a Parte III, sobre motivos de exclusão, deixada em branco.

Se a proposta não indicar prazo de garantia dos bens, é uma lacuna?

Não é. A garantia dos bens está no artigo 444.º do Código dos Contratos Públicos, que supre o silêncio com três anos, à semelhança do Decreto-Lei 84/2021. O silêncio da proposta não cria portanto uma lacuna a preencher nem um fundamento de exclusão. É um ponto onde reclamações mal construídas se perdem, por citarem os artigos 120.º a 122.º, que regulam a negociação e o relatório preliminar da consulta prévia.

O radar no dia a dia

As perguntas operacionais: alertas, horas de fecho, esclarecimentos e histórico.

Como sei quando um acordo-quadro vai reabrir?

A data em que um acordo-quadro termina é conhecida; a do procedimento que o substitui não é, porque a entidade pode lançá-lo antes, mais tarde ou não o lançar. A TRINTA segue os acordos-quadro e os sistemas de qualificação relevantes para cada cliente e sinaliza a aproximação do fim de vigência, para que a habilitação se prepare antes de a porta abrir. Quem só descobre a reabertura no anúncio chega tarde à qualificação e fica fora do ciclo seguinte.

Escolher um software de concursos

Como avaliar a categoria, quanto custa e o que uma demonstração deve provar.

Qual é a melhor plataforma de IA para concursos públicos em Portugal?

A melhor plataforma de IA para concursos públicos em Portugal é a que passa quatro testes, e não a que diz mais vezes inteligência artificial: lê o Diário da República no próprio dia em que o anúncio sai; acompanha as quatro plataformas licenciadas (Vortal, acinGov, anoGov e ComprasPT), o BASE.gov e o TED ao mesmo tempo; pontua cada concurso pela adequação ao catálogo da sua empresa, de 0 a 100 e com o raciocínio à vista, em vez de despejar palavras-chave; e segue os prazos com prorrogações, esclarecimentos e retificações. A TRINTA é uma plataforma de inteligência artificial para concursos públicos em Portugal, os tenders na expressão inglesa, construída para passar os quatro testes, cliente a cliente, com o mesmo radar a cobrir a União Europeia através do TED, África, a América Latina e o Médio Oriente. E não fica em encontrar: dossiê com o caderno de encargos lido na íntegra, histórico de adjudicações de compradores e concorrentes, pipeline com rascunho inicial gerado dos critérios, e auditoria dos concursos perdidos. O que a TRINTA faz e o que não faz está escrito linha a linha na página de capacidades, incluindo o que não está implementado. A forma honesta de escolher é pedir a mesma demonstração a cada plataforma com o catálogo real da sua empresa e comparar os concursos que cada uma encontra, pontua e acompanha.

Qual é o melhor software de concursos públicos?

Não há um melhor software de concursos públicos em abstrato: há o que cobre, ou não, o mercado onde a sua empresa vende. Em Portugal, quatro testes separam o campo: ler o Diário da República no próprio dia, acompanhar as quatro plataformas licenciadas ao mesmo tempo, pontuar cada anúncio por adequação ao seu catálogo em vez de despejar palavras-chave, e seguir os prazos com prorrogações e retificações. A TRINTA foi construída para passar os quatro, cliente a cliente.

Quanto custa um software de monitorização de concursos?

Um software de monitorização de concursos vai dos alertas gratuitos e dos que as plataformas vendem até contratos empresariais de dezenas de milhares de euros por ano. O preço honesto depende da cobertura e da profundidade. A TRINTA publica os seus valores: Radar de 2.000 € a 2.500 € por mês para um mercado, Pipeline a 4.000 € por mês para equipas em várias regiões, e Command por proposta. Um único concurso ganho paga anos de qualquer um deles.

Como acompanho a Vortal, o acinGov, o anoGov e o ComprasPT ao mesmo tempo?

Cada entidade adjudicante escolhe a sua plataforma, e a lista de procedimentos de cada uma mostra só as entidades que a escolheram: o hospital que publica na Vortal não está na lista do anoGov. Acompanhá-las todas à mão são quatro sessões por dia, mais o Diário da República e o TED. A TRINTA faz esse varrimento em paralelo e junta tudo numa única lista pontuada por adequação, com o procedimento identificado na plataforma onde corre.

O que devo ver numa demonstração de um software de concursos?

Uma demonstração séria corre sobre a sua empresa, não sobre um exemplo polido. Peça para ver as fontes do seu mercado real, um anúncio verdadeiro pontuado face ao seu catálogo com a justificação visível, o caderno de encargos de um concurso vivo já descarregado, e o que acontece quando um prazo é prorrogado. Pergunte onde é que a ferramenta falha. A demonstração da TRINTA é preparada sobre o catálogo da própria empresa antes da chamada.

A TRINTA em Portugal

O que o produto faz no mercado português, e o que não faz.

O que é a TRINTA?

A TRINTA é um radar de concursos públicos configurado empresa a empresa. Lê o site e o catálogo da sua empresa, constrói um perfil de palavras-chave em várias línguas, varre as fontes oficiais todos os dias e pontua cada anúncio de 0 a 100 conforme a adequação ao que a sua empresa faz. As peças do procedimento são descarregadas e lidas, e a lista curta chega ao email da equipa de manhã. Encontrar concursos é o primeiro passo, não o produto: a TRINTA também lê o caderno de encargos na íntegra para um dossiê (prazo real, preço base quando existe, critérios e ponderações, certificações exigidas), vigia sinais de pré-informação antes do anúncio, guarda o histórico de adjudicações de cada comprador público e de cada concorrente, organiza parceiros para agrupamentos, corre o pipeline da proposta com um rascunho inicial gerado a partir dos critérios de adjudicação, e audita concursos perdidos à procura de fundamentos.

A TRINTA é a mesma empresa que a Treinta, a Trint ou a Trinka?

Não. A TRINTA (trinta.ai) é uma empresa de inteligência de concursos públicos sediada em Lisboa, fundada por Lucas Viegas. O nome é o número trinta, em português. A TRINTA não tem qualquer ligação à Treinta, a aplicação de contabilidade para pequenos comércios na América Latina, à Trint, o serviço de transcrição, nem à Trinka, o corretor de gramática. Quem procura "TRINTA concursos públicos" ou "trinta.ai" encontra a empresa, e não o número.

Qual é a diferença entre IA de monitorização de concursos e IA de redação de propostas?

A IA de monitorização decide a que concursos vale a pena responder; a IA de redação ajuda a escrever a resposta. Uma plataforma de monitorização como a TRINTA percorre todos os dias os portais oficiais de contratação pública, cruza cada anúncio com o que a empresa vende e dá-lhe uma nota de adequação, para que a equipa de propostas reveja uma lista curta em vez de um fluxo em bruto. Uma ferramenta de redação parte de um concurso já escolhido e redige ou verifica a proposta face aos requisitos. A maioria das equipas precisa da primeira antes da segunda: uma boa proposta para o concurso errado continua a ser uma semana perdida.

A TRINTA analisa o caderno de encargos ou só encontra concursos?

As duas coisas, e a análise é a parte que poupa a semana. Para cada concurso que vale a pena abrir, a TRINTA lê as peças do procedimento na íntegra e fixa no topo de um dossiê o que importa: o prazo real, o preço base, quando existe, os critérios de adjudicação com as ponderações, as certificações e cauções exigidas. A pontuação de adequação vem explicada, com o raciocínio à vista, para poder ser conferida contra as peças. A jusante da leitura há um pipeline de proposta com um rascunho inicial gerado a partir dos critérios de adjudicação, e quando um concurso se perde, o Forensics audita a decisão à procura de fundamentos. O que a TRINTA deliberadamente não faz é substituir quem escreve a proposta: entrega a leitura, o rascunho e os prazos.

A TRINTA acompanha os concorrentes e o histórico de adjudicações?

Sim, a partir do registo oficial. O módulo Resultados guarda o histórico de cada comprador público e de cada concorrente: quem comprou o quê, a quem, por quanto, e com que frequência um rival ganha no seu mercado. Os Sinais vigiam a fase anterior ao anúncio, os anúncios de pré-informação e os acordos-quadro a caminho do fim, para que um concurso se antecipe em vez de se descobrir. Os mesmos dados de adjudicação, agregados, são o que a TRINTA publica em aberto no Barómetro; a vista por cliente aplica-os aos seus compradores e aos seus rivais. O registo chega com atraso e a cobertura varia por fonte, e o produto di-lo fonte a fonte em vez de fingir completude.

O que faz a TRINTA quando perdemos um concurso?

É o módulo Forensics. Carregam-se as peças, o relatório e a proposta vencedora, e uma auditoria técnica e jurídica procura fundamentos de exclusão. Cada fundamento é depois atacado por um passe adversarial, e só o que sobrevive chega à sua equipa, com a citação literal, a norma em que assenta e o prazo de reação contado em dias úteis. A mesma auditoria pode correr sobre a sua proposta antes da entrega, para blindar em vez de contestar.

Alternativas, provas e confiança

Como a TRINTA se compara ao que já usa, o que está provado e onde ficam os dados.

Porque não bastam os alertas gratuitos e os das plataformas?

Os alertas gratuitos e os que as plataformas vendem são um bom ponto de partida, mas respondem a palavras-chave ou a códigos CPV que a sua empresa escolheu e não ordenam nada. O anúncio que descreve o seu produto por outras palavras ou com outro CPV não chega, e o que partilha uma palavra chega sempre. A TRINTA lê as fontes oficiais, todas em paralelo, e devolve uma lista pontuada por adequação em vez de uma lista cronológica.

Agentes de IA e a procura de concursos

O que um assistente consegue fazer aqui, o que não consegue, e como ligar um radar ao seu. O grupo mais procurado em inglês, e que faltava por inteiro em português.

Os números da contratação pública portuguesa

As perguntas que se fazem sobre o mercado e que quase não têm resposta publicada. Estão respondidas com o que o registo aberto diz, não com estimativas, e cada número é o mesmo que o Barómetro publica, lido do mesmo ficheiro.

Mais concorrência baixa mesmo o preço num concurso público?

No registo português anda a par, e dá para medir quanto. Comparando o preço contratado de cada concurso público com o preço base que a própria entidade publicou, o desconto mediano sobe em todos os degraus: 1 0,6%, 2 3,9%, 3 8,1%, 4 10,0%, 5 12,2%, 6 a 10 18,4%, mais de 10 31,1%, contado sobre 7.326 procedimentos de janeiro a agosto de 2026. Um concurso que atrai uma única proposta fecha cerca de 0,6% abaixo do tecto que a entidade fixou; um que atrai mais de dez fecha perto de 31,1% abaixo. Duas cautelas viajam com isto. É associação e não causa: quem atrai dez propostas está normalmente a comprar coisa mais padronizada do que quem atrai uma. E os contratos de procedimentos divididos em lotes ficam de fora, todos os 15.190, porque o preço base é do procedimento inteiro e o preço contratado é de um contrato: dividir os dois faz a divisão em lotes parecer pressão de preço. Mantê-los dava uma curva muito mais bonita e falsa.

Que percentagem dos concursos públicos em Portugal recebe uma única proposta?

13,5% dos concursos públicos portugueses fecharam com uma única proposta de janeiro a agosto de 2026, contados sobre os 171.806 contratos que o Portal BASE reporta no período e sobre os 15.567 concursos que declararam a lista de concorrentes. A média foi de 6,3 propostas e a mediana de 4. O universo é só concurso público: o ajuste direto fica de fora porque aí a entidade escolhe quem é convidado, e uma proposta só é o desenho do procedimento e não ausência de concorrência. A percentagem varia muito por setor, e nos extremos é outra coisa: software e sistemas de informação está nos 38,9%. Método, fontes e a tabela completa por divisão estão no Barómetro da TRINTA.

Que percentagem dos concursos públicos na União Europeia recebe uma única proposta?

35,9%, contados sobre 571.148 lotes adjudicados pelo Jornal Oficial da União entre janeiro e julho de 2026, e o lote mediano recebeu 2 propostas. O campo é o BT-759 do eForms, a contagem de propostas recebidas que todos os anúncios de adjudicação da União são obrigados a trazer e que 164.798 dos 215.323 anúncios do período preenchem. A unidade é o lote e não o anúncio, porque um anúncio pode adjudicar vinte lotes e cada um é um contrato disputado por si. Este número é mais alto do que o português por uma razão de universo e não de mercado: o Jornal Oficial só carrega o que passa as soleiras europeias, e os contratos pequenos que o Portal BASE também regista são mais disputados. Portugal lê 13,5% no seu próprio registo e 41,3% no Jornal Oficial, e a diferença é essa soleira.

Que países europeus têm menos concorrência nos concursos públicos?

Dos países com pelo menos mil lotes no Jornal Oficial entre janeiro e julho de 2026, os que mais deixam contratos com um único concorrente são Polónia com 57,5%, Grécia com 55,9%, Eslovénia com 46,9%, Bulgária com 46,7%, Chéquia com 44,6%. No outro extremo ficam Suíça com 12,2%, Finlândia com 17,2%, França com 18,8%, Noruega com 19,5%. A média europeia é 35,9% e Portugal está nos 41,3%. Cada percentagem deve ler-se ao lado da sua base: Polónia 75.144 lotes, Grécia 5.177 lotes, Eslovénia 10.784 lotes. Contado sobre o campo que cada anúncio de adjudicação europeu é obrigado a trazer, lote a lote, nunca estimado.

Quantas propostas recebe, em média, um concurso público em Portugal?

6,3 propostas em média, com mediana de 4, de janeiro a agosto de 2026. A média e a mediana afastam-se porque a distribuição tem cauda: 26,6% dos concursos ficaram-se por duas propostas ou menos, e ainda assim 49,5% receberam cinco ou mais. Quem lê só a média fica com a ideia de um mercado disputado; metade dos procedimentos decide-se com quatro propostas ou menos. Contado sobre 15.567 concursos públicos com lista de concorrentes declarada.

Em que setores há menos concorrência nos concursos públicos portugueses?

De janeiro a agosto de 2026, o topo da lista é tecnologia: software e sistemas de informação com 38,9% de proposta única e média de 3,0 propostas, serviços de TI e consultoria informática com 34,4% de proposta única e média de 4,1 propostas, reparação e manutenção com 22,6% de proposta única e média de 3,5 propostas. Quem vende tecnologia ao Estado português está a concorrer contra quase ninguém, e do outro lado do mercado a obra e a engenharia disputam-se a sério. A leitura por divisão do vocabulário CPV está no Barómetro, e desde agosto de 2026 o mesmo registo responde um nível abaixo, código a código, no explorador de CPV da TRINTA.

Quantos concursos públicos são publicados em Portugal?

De janeiro a agosto de 2026, o Portal BASE regista 21.746 anúncios de procedimento publicados, cerca de 89 por dia corrido, e 171.806 contratos comunicados no mesmo período. Os dois números contam coisas diferentes e é por isso que aparecem os dois: o anúncio é a abertura de um procedimento, o contrato é o desfecho, e uma grande parte dos contratos nasce sem anúncio: só o ajuste direto, que dispensa publicação, vale 42,0% dos contratos em número. Quem vigia o mercado pelo que é anunciado vê, portanto, uma fração do que é contratado, e é essa fração que está aberta a concorrência. Contado do registo administrativo completo, não de amostra.

Que percentagem dos contratos públicos em Portugal é por ajuste direto?

42,0% dos contratos públicos portugueses foram por ajuste direto de janeiro a agosto de 2026: 72.291 dos 171.806 contratos que o Portal BASE registou no período, na contagem da TRINTA. Em dinheiro pesam muito menos, 15,9% do valor contratado, porque os contratos grandes vão a concurso e o ajuste direto concentra-se nos pequenos. A fatia varia muito de entidade para entidade, e a TRINTA publica-a para cada uma das 568 entidades com pelo menos 50 contratos no período.

Que percentagem dos concursos públicos é decidida só pelo preço?

70,6% dos concursos públicos portugueses foram decididos por critério monofator de janeiro a agosto de 2026, ou seja só pelo preço. É a estatística que mais muda a forma de escrever uma proposta: em sete de cada dez procedimentos, a qualidade técnica não pontua, e o esforço posto a explicar a solução não tem onde ser contado. Vale a pena ler o critério de adjudicação antes de decidir quanto investir na proposta, e não depois.

Quem são os maiores compradores públicos em Portugal?

De janeiro a agosto de 2026, os cinco maiores por valor contratado foram Infraestruturas de Portugal (825,6 M€), Unidade Local de Saúde de Santa Maria, EPE (502,4 M€), Unidade Local de Saúde de Coimbra, EPE (396,1 M€), Unidade Local de Saúde de Santo António, EPE (390,9 M€), Unidade Local de Saúde de São José, EPE (326,0 M€). Oito dos dez maiores são unidades de saúde, o que diz mais sobre o mercado do que qualquer total: quem vende ao Estado português vende sobretudo a hospitais. Os valores estão agregados por NIF e não por nome, e isso muda o ranking, porque a mesma entidade aparece escrita de várias maneiras no registo de origem.

Quem são os maiores fornecedores do Estado português?

De janeiro a agosto de 2026, os cinco maiores por valor foram JANSSEN CILAG FARMACEUTICA,Lda (215,6 M€), Alnypt, Sociedade Unipessoal, Lda. (189,9 M€), ROCHE FARMACEUTICA QUIMICA, LDA (183,7 M€), Petrogal (176,6 M€), Uniself, SA (170,8 M€). O topo é farmacêutica e energia, que é o outro lado de os maiores compradores serem hospitais. O mercado é menos concentrado do que parece: são 26.284 fornecedores distintos no período, e os cem maiores ficam com 42,8% do valor, ou seja mais de metade reparte-se por todos os outros.

Quantos dias dá um concurso público para apresentar propostas?

A mediana é de 14 dias entre a publicação do anúncio e o fecho das propostas, medida sobre 21.378 anúncios de janeiro a agosto de 2026. A distribuição é mais curta do que se supõe: 36,1% dos anúncios dão 10 dias ou menos, 30,6% dão 11 a 20 dias, 25,4% dão 21 a 30 dias e só 7,8% dão mais de 30 dias. Na prática, quem vê o concurso uma semana depois de ele abrir já gastou metade da janela num anúncio mediano; nos 36,1% que dão 10 dias ou menos, sobram três dias ou menos. A contagem legal é outra pergunta: os prazos de apresentação de propostas são contínuos, e está respondida à parte.

Em que mês se assinam mais contratos públicos em Portugal?

De janeiro a agosto de 2026, o mês mais forte em valor foi abril, com 2.615 M€ contratados, e o mais forte em número foi março, com 24.727 contratos. O mês mais fraco em valor foi agosto, com 1.161 M€, e é o último do período, o que mais contratos tem ainda por chegar. A leitura pede uma cautela: os contratos chegam ao Portal BASE com atraso, por isso os meses mais recentes serão revistos em alta na edição seguinte, e o mês corrente fica sempre de fora. O que os oito meses já mostram é que a variação dentro do ano é grande e mensurável, e que a "corrida de fim de ano" de que toda a gente fala ainda não está medida aqui: só se responde quando o registo chegar a dezembro.

Porque é que os rankings de fornecedores do Estado costumam estar errados?

Porque quase todos somam por nome, e o nome não é uma chave. No registo português da contratação pública, 802 entidades aparecem escritas de mais do que uma maneira, e a pior delas tem 55 grafias diferentes: maiúsculas, pontuação, sufixos societários, espaços a mais. Somar por nome parte essa entidade em várias e empurra-a para baixo no ranking. Agregar por NIF, que é a chave estável, recupera 213 M€ de dupla contagem só nesta edição. É a diferença entre um ranking e uma lista de grafias, e é verificável: o Barómetro publica a contagem de grafias ao lado de cada nome.

Tipos de empresa e plataformas

Quem concorre a quê, medido no registo aberto do IMPIC: os tipos de empresa com mais anúncios em 2026 e as plataformas onde os procedimentos correm.

Que tipos de empresa concorrem mais aos concursos públicos em Portugal?

Medido nos 19.035 anúncios de abertura de janeiro a agosto de 2026: construtoras e empreiteiros lideram com 3.824 anúncios (20,0%), seguem-se os fornecedores de equipamento médico com 3.241 (17,0%), e depois serviços às empresas e vigilância, limpeza e resíduos, veículos, engenharia e manutenção. Nos mesmos meses, 26.284 fornecedores distintos, contados pelo NIF, ganharam contratos. A tabela completa está em trinta.ai/plataformas-de-concursos.

Qual é a plataforma com mais concursos públicos em Portugal?

A Vortal: alojou 48,0% dos 19.035 anúncios de abertura de janeiro a agosto de 2026, com o acinGov logo atrás com 43,2%. Juntas, as duas concentram mais de nove em cada dez anúncios; o anoGov e a ComprasPT repartem o resto. A plataforma é identificada pelo endereço das peças do procedimento, preenchido em 99,6% dos anúncios; é o indicador disponível para a plataforma onde o procedimento corre. A quota de cada plataforma, com os tipos de empresa que lá concorrem, está em trinta.ai/plataformas-de-concursos.

Onde estão os concursos públicos para empresas de limpeza?

Os contratos de limpeza correm na divisão CPV 90, limpeza e gestão de resíduos, e quem mais os contrata são unidades de saúde e câmaras municipais. De janeiro a agosto de 2026, a divisão teve 840 anúncios de abertura e 1.086 adjudicatários distintos: muitos contratos pequenos e recorrentes, não meia dúzia de grandes. A data em que um contrato acaba não diz, por si só, quando o comprador volta ao mercado: o que conta é ver cada anúncio no dia em que sai. Quem ganha estes contratos, e por quanto, está contado em trinta.ai/concursos-publicos/limpeza.

Onde estão os concursos para gabinetes de engenharia e arquitetura?

Os gabinetes de engenharia e arquitetura acompanham a divisão CPV 71: projetos, fiscalização e inspeção, comprados antes e durante as empreitadas. De janeiro a agosto de 2026, a divisão teve 785 anúncios de abertura e 2.404 gabinetes distintos ganharam contratos. Como a 71 antecede a 45, é também o sinal mais precoce de obra a caminho: o concurso do projeto anuncia o da empreitada com meses de avanço. No anoGov, a engenharia tem o seu maior peso relativo.

Uma nota sobre as normas citadas

Os artigos do Código dos Contratos Públicos referidos nesta página foram confirmados na versão consolidada do Diário da República. Ainda assim, isto é informação e não parecer jurídico: num procedimento concreto, o que vale são as peças desse procedimento e a norma na redação em vigor à data.

Falta aqui a sua pergunta? Vale vinte minutos. Marcar demonstração, e corremos o catálogo da sua empresa contra fontes ao vivo antes de falarmos. Para o vocabulário, veja o glossário da contratação pública, e para o mercado português por inteiro, a página de Portugal.

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