As perguntas que se fazem sobre o mercado e que quase não têm resposta publicada. Estão respondidas com o que o registo aberto diz, não com estimativas, e cada número é o mesmo que o Barómetro publica, lido do mesmo ficheiro.
No registo português anda a par, e dá para medir quanto. Comparando o preço contratado de cada concurso público com o preço base que a própria entidade publicou, o desconto mediano sobe em todos os degraus: 1 0,6%, 2 3,7%, 3 8,6%, 4 9,9%, 5 12,5%, 6 a 10 18,4%, mais de 10 30,2%, contado sobre 6.183 procedimentos de janeiro a julho de 2026. Um concurso que atrai uma única proposta fecha cerca de 0,6% abaixo do tecto que a entidade fixou; um que atrai mais de dez fecha perto de 30,2% abaixo. Duas cautelas viajam com isto. É associação e não causa: quem atrai dez propostas está normalmente a comprar coisa mais padronizada do que quem atrai uma. E os procedimentos divididos em lotes ficam de fora, todos os 12.968, porque o preço base é do procedimento inteiro e o preço contratado é de um contrato: dividir os dois faz a divisão em lotes parecer pressão de preço. Mantê-los dava uma curva muito mais bonita e falsa.
13,9% dos concursos públicos portugueses fecharam com uma única proposta de janeiro a julho de 2026, contados sobre os 151.702 contratos que o Portal BASE reporta no período e sobre os 13.286 concursos que declararam a lista de concorrentes. A média foi de 6,1 propostas e a mediana de 4. O universo é só concurso público: o ajuste direto fica de fora porque aí a entidade escolhe quem é convidado, e uma proposta só é o desenho do procedimento e não ausência de concorrência. A percentagem varia muito por setor, e nos extremos é outra coisa: software e sistemas de informação está nos 37,5%. Método, fontes e a tabela completa por divisão estão no Barómetro da TRINTA.
6,1 propostas em média, com mediana de 4, entre janeiro e julho de 2026. A média e a mediana afastam-se porque a distribuição tem cauda: 26,8% dos concursos ficaram-se por duas propostas ou menos, e ainda assim 49,1% receberam cinco ou mais. Quem lê só a média fica com a ideia de um mercado disputado; metade dos procedimentos decide-se com quatro propostas ou menos. Contado sobre 13.286 concursos públicos com lista de concorrentes declarada.
De janeiro a julho de 2026, o topo da lista é tecnologia: software e sistemas de informação com 37,5% de proposta única e média de 3,1 propostas, serviços de TI e consultoria informática com 34,9% de proposta única e média de 4,1 propostas, equipamento de telecomunicações com 23,3% de proposta única e média de 4,7 propostas. Quem vende tecnologia ao Estado português está a concorrer contra quase ninguém, e do outro lado do mercado a obra e a engenharia disputam-se a sério. A leitura por divisão do vocabulário CPV está no Barómetro, e desde agosto de 2026 o mesmo registo responde um nível abaixo, código a código, no explorador de CPV da TRINTA.
De janeiro a julho de 2026, o Portal BASE regista 19.479 anúncios de procedimento publicados, cerca de 92 por dia corrido, e 151.702 contratos comunicados no mesmo período. Os dois números contam coisas diferentes e é por isso que aparecem os dois: o anúncio é a abertura de um procedimento, o contrato é o desfecho, e uma grande parte dos contratos nasce sem anúncio: só o ajuste direto, que dispensa publicação, vale 41,8% dos contratos em número. Quem vigia o mercado pelo que é anunciado vê, portanto, uma fração do que é contratado, e é essa fração que está aberta a concorrência. Contado do registo administrativo completo, não de amostra.
13,5 mil M€ de janeiro a julho de 2026, em 151.702 contratos reportados ao Portal BASE. Não é o total do mercado: é o que está reportado no registo à data da extração, e os contratos chegam com atraso, por isso os meses recentes são sempre revistos em alta nas edições seguintes. O ajuste direto vale 41,8% dos contratos em número mas só 15,6% em valor, que é a forma mais rápida de ver que são muitos contratos pequenos.
70,9% dos concursos públicos portugueses foram decididos por critério monofator de janeiro a julho de 2026, ou seja só pelo preço. É a estatística que mais muda a forma de escrever uma proposta: em sete de cada dez procedimentos, a qualidade técnica não pontua, e o esforço posto a explicar a solução não tem onde ser contado. Vale a pena ler o critério de adjudicação antes de decidir quanto investir na proposta, e não depois.
Ganham quase todos em número e menos de dois terços em valor: as PME ficaram com 88,7% dos contratos e 67,1% do valor de janeiro a julho de 2026. Os dois números juntos dizem o que nenhum diz sozinho: o acesso ao mercado não é o problema, a escala dos contratos maiores é. Para uma PME, a leitura prática é que há muito procedimento ao seu alcance e que os grandes se decidem noutro campeonato.
De janeiro a julho de 2026, os cinco maiores por valor contratado foram Infraestruturas de Portugal (768,9 M€), Unidade Local de Saúde de Santa Maria, EPE (482,1 M€), Unidade Local de Saúde de Santo António, EPE (380,1 M€), Unidade Local de Saúde de Coimbra, EPE (360,6 M€), Unidade Local de Saúde de São José, EPE (290,5 M€). Sete dos dez maiores são unidades de saúde, o que diz mais sobre o mercado do que qualquer total: quem vende ao Estado português vende sobretudo a hospitais. Os valores estão agregados por NIF e não por nome, e isso muda o ranking, porque a mesma entidade aparece escrita de várias maneiras no registo de origem.
De janeiro a julho de 2026, os cinco maiores por valor foram Iberdrola Clientes Portugal Unipessoal (229,9 M€), JANSSEN CILAG FARMACEUTICA,Lda (206,2 M€), Alnypt, Sociedade Unipessoal, Lda. (189,9 M€), ROCHE FARMACEUTICA QUIMICA, LDA (175,9 M€), Petrogal (172,9 M€). O topo é farmacêutica e energia, que é o outro lado de os maiores compradores serem hospitais. O mercado é menos concentrado do que parece: são 24.392 fornecedores distintos no período, e os cem maiores ficam com 45,1% do valor, ou seja mais de metade reparte-se por todos os outros.
A mediana é de 14 dias entre a publicação do anúncio e o fecho das propostas, medida sobre 19.164 anúncios de janeiro a julho de 2026. A distribuição é mais curta do que se supõe: 36,0% dos anúncios dão 10 dias ou menos, 30,9% dão 11 a 20 dias, 25,4% dão 21 a 30 dias e só 7,7% dão mais de 30 dias. Na prática, quem vê o concurso uma semana depois de ele abrir já gastou metade da janela num anúncio mediano; nos 36,0% que dão 10 dias ou menos, sobram três dias ou menos. A contagem legal é outra pergunta: os prazos de apresentação de propostas são contínuos, e está respondida à parte.
De janeiro a julho de 2026, o mês mais forte em valor foi 2026-04, com 2.558 M€ contratados, e o mais forte em número foi 2026-03, com 24.306 contratos. O mês mais fraco em valor foi 2026-01, com 1.445 M€. A leitura pede uma cautela: os contratos chegam ao Portal BASE com atraso, por isso os meses mais recentes serão revistos em alta na edição seguinte, e o mês corrente fica sempre de fora. O que os sete meses já mostram é que a variação dentro do ano é grande e mensurável, e que a "corrida de fim de ano" de que toda a gente fala ainda não está medida aqui: só se responde quando o registo chegar a dezembro.
Porque quase todos somam por nome, e o nome não é uma chave. No registo português da contratação pública, 764 entidades aparecem escritas de mais do que uma maneira, e a pior delas tem 51 grafias diferentes: maiúsculas, pontuação, sufixos societários, espaços a mais. Somar por nome parte essa entidade em várias e empurra-a para baixo no ranking. Agregar por NIF, que é a chave estável, recupera 206 M€ de dupla contagem só nesta edição. É a diferença entre um ranking e uma lista de grafias, e é verificável: o Barómetro publica a contagem de grafias ao lado de cada nome.